domingo, 22 de maio de 2022

Mister M. FIIs #6: Diversificação, o Deus que Falhou

- Cid Moreira: Boa noite! Lá vem ele, Mister M., o Senhor de Todos os Segredos, o Paladino Mascarado, o Príncipe Negro de Todos os Sortilégios!!! Na noite deste domingo ele se propõe a desvendar os mistérios por trás de gestores que dizem fazer emissões para diversificar.

Mister M., como ousa insinuar que diversificação é algo ruim!!!

- Música tema: Ohhh Ohhh Ohhh

- Mister M.: Diversificação, o Deus que Falhou!!!

- Cid Moreira: Para de provocações e nos diga, você por acaso é contra emissões e diversificação?

- Mister M.: Infelizmente uma grande quantidade de emissões tem como único objetivo inflar o VP dos fundos imobiliários, e consequentemente as receitas dos gestores.

Diversificação é algo bom, o problema é quando ela vem acompanhada de ativos (imóveis/CRIs) menos rentáveis do que a carteira atual, taxas de emissão elevadas, mudanças bruscas no perfil do fundo, demora na alocação dos recursos captados, diluição de imóveis/CRIs com inflação não distribuída...

- Cid Moreira: E onde que entra o “Emitir para Diversificar” nessa história?

- Mister M.: Diversificação é algo essencial que é ensinado aos investidores desde os seus primeiros passos, então é algo que é considerado muito positivo para uma quantidade relevante de investidores, algo tão relevante que lhes impedem de ver que em algumas circunstâncias uma diversificação malfeita pode ser prejudicial, como nos exemplos citados anteriormente.

Cientes desse dogma enraizado na cabeça dos investidores, gestores começaram a utilizar a diversificação como pretexto para fazer emissões desenfreadas que pouco agregam ao portfólio do fundo.

- Cid Moreira: O que leva gestores a terem esse desespero em fazer emissões?

FIIs são fundos fechados, ou seja, o investidor não pode pedir para retirar o seu dinheiro, caso queira reaver o valor investido precisa negociar suas cotas no mercado secundário. Isso proporciona uma grande tranquilidade para o gestor, já que dessa forma ele só perde as taxas de administração caso cometa erros muitos graves e os cotistas peçam a troca da gestora. Algo bem diferente do que vemos em fundos abertos, onde o gestor precisa entregar resultados, sob pena dos investidores reaverem seu dinheiro.

Em outras palavras, FIIs são uma fonte de renda vitalícia para gestores e isso tem causado um frenesi para garantir o seu quinhão nesse mercado. O desespero é tanto que virou rotina encontrarmos captações com preço de emissão acima do mercado secundário.

- Cid Moreira: Se o gestor sabe que a emissão vai micar, por que ele solta a emissão mesmo assim?

- Mister M.: Os custos fixos para estruturar e lançar uma emissão são pagos pelo fundo, então para o gestor não há custo algum em lançar emissões “vai que cola”. Te garanto que se os custos com B3, advogados e consultorias saíssem do bolso dos gestores não teríamos tantas emissões natimortas sendo lançadas.

O único custo que o gestor pode ter com essa política de emissões é o dano a sua imagem, algo que começou a entrar no radar dos gestores a pouco tempo, devido principalmente as críticas feitas de um investidor para o outro.

- Cid Moreira: E por que ninguém faz nada contra isso?

- Mister M.: As emissões são lucrativas para os vários agentes do mercado financeiros, os gestores por motivos óbvios, corretoras ganham tanto dinheiro em emissões que abriram mão da Taxa de Corretagem em prol de crescer o mercado de FIIs e influenciadores não podem expressar sua opinião com tanto fervor sob custo de perder contatos, além daqueles que são remunerados diretamente por gestores e corretoras.

- Cid Moreira: Quando que uma emissão é benéfica tanto para o gestor quanto para o cotista?

- Mister M.: As emissões mais importantes são aquelas feitas quando o fundo ainda é bem pequeno, quando é muito difícil conseguir uma diversificação devido ao porte do fundo. Ainda assim é importante observar se o gestor irá utilizar os valores captados para diluir as operações iniciais do fundo.

Outra ocasião em que as emissões são muito bem-vindas é quando o mercado está em baixa e uma captação permite comprar imóveis com bons Cap Rates ou CRIs com taxas semelhantes ou superiores as atuais. Entretanto, para o gestor conseguir obter sucesso nessas emissões é preciso que o gestor faça a lição de casa na época de vacas gordas para que nos momentos de estresse o ágio do fundo não vá embora. Da para contar nos dedos as gestoras/FIIs que se enquadram nessas condições.

Cid Moreira: Como podemos acabar com esse sortilégio tão perverso???

- Mister M.: Não há nada que indique reversão do ímpeto de emitir por parte dos gestores, eles são seres humanos que querem enriquecer, assim como nós. O que resta ao investidor é parar de glorificar gestores, obter conhecimento, avaliar friamente se as emissões propostas fazem sentido e selecionar aqueles profissionais que se destacam.

- Cid Moreira: Muito obrigado Mágico Mascarado por nos libertar da ignorância perpetuada na internet!

- Música tema: Ohhh Ohhh Ohhh

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